Sergio Leo, de Brasília
Brasil e México começam amanhã a negociar a possibilidade de firmar um tratado de livre comércio, entre as propostas para ampliar os negócios entre os dois países. A viagem, discutida na reunião da Câmara de Comércio Exterior (Camex), é resultado da visita feita pelo presidente do México, Felipe Calderón, ao Brasil, em agosto. O México, que tem acordo-quadro de comércio com o Mercosul, é o único país com quem os sócios do bloco podem negociar individualmente acordos para eliminação total de tarifas de importação.
“A ideia é partir para o livre comércio”, garantiu ao Valor a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior, Lytha Spíndola. Integrantes da equipe negociadora brasileira, chefiada pelo ministério de Relações Exteriores, viajam à Cidade do México com um esboço dos prazos e condições para negociação do acordo. Se houver receptividade dos mexicanos – que, até a visita de Calderón, eram reticentes em relação ao tema – seria possível firmar um acordo em um ano, prevê Lytha.
O México foi definido como prioridade comercial pelas associações de exportadores brasileiros, que o consideram um dos mercados mais promissores e querem ampliar os acordos existentes, de redução tarifária, restritos ao setor automotivo e a uma lista de 800 produtos. O México é o sexto maior importador de alimentos do mundo e o governo brasileiro constatou interesse dos produtores de suínos e lácteos em entrar nesse mercado.
As conversas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Calderón, em que o brasileiro chegou a encorajar o México a assumir papel de maior destaque na América Central, levaram diplomatas latino-americanos a ver uma mudança de atitude por parte do governo mexicano, que parece disposto a uma aproximação maior com o Brasil, inclusive no comércio.
As informações são do jornal Valor Econômico.

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